|
Sonho estranho que nem te conto. Sonhei com a imagem de Susana, que dá nome ao blogue, sentada na praia, de Ribeira D’Ilhas, onde costumava olhar os surfistas na água. Era ela, mas o meu cérebro no sonho, interpretava como uma viúva-negra que estende a teia para captura do sustento, pobres figuras de gente predando outros. Foi nessa praia que conheceu o pai do filho. Sabendo que o relógio biológico se estava a fechar fez como tantas milhares de outras, ‘antes um burro que me carrege, que um cavalo que me deite ao chão’…e mesmo que o burro sacuda, podem sempre dizer à família e amigos que não tiveram sorte ao ‘amor’. É um win-win para elas. Drácula gostava mais de alho que este putedo todo de responsabilidade pelas suas acções e escolhas. Dizem-me que odeio as mulheres. «-Ah odeias as mulheres, quem te magoou, seu misógino…» Farto-me mais desta imbecilidade que das conclusões a que chego quando olho para fenómenos passados sem as lentes do ‘amor’ ou da tesão ou do caralho a sete. Nos dias que correm, falar do jogo equivale a perder o jogo. Fodidos os que não querem jogar e só querem uma gaja que os valide, dizendo ‘-Amo-te.’, que é o mesmo que dizer que te quero e aceito exactamente como és. Que valemos no prato metafísico, como complementos um do outro. Não é disso que fala a música pimba ou o sertanejo de pitãozinho e xoróró? A médica diz-me ‘-Olhe, você tem hipertensão.’ E eu respondo que não tenho, que ando com falta de sexo e excesso de cafeína. Receita-me comprimidos. Amachuco a receita e deito-a para o lixo saindo do posto médico. Dava uma voltinha na médica, mas aquilo é gaja que só fode de Tesla para cima e eu fora apé para o seu local de trabalho. No retorno a casa, gracejo comigo que tenho o músculo cardíaco fodido graças aos consecutivos desgostos amorosos. Putas, damas, partiste-meis o coração, ou o caralho a sete. Rio-me sozinho com a ideia e com a verve linguística. A minha única vingança é rir-me. E rio-me às bandeiras desbragadas. «-Manda-me uma foto tua dude!» Achava graça às provocações que eu lhe enviava, com punhos de renda, via bumble ou tinder ou o caralho. Tenho tantas aplicações de engate que a minha vida sexual faria corar uma artista de lupanário. Gabo-me a mim mesmo, por apenas duas vezes ter negado fogo, e olha que já lá vão umas décadas de actividade horizontal. Depois percebo que estou tão doente como estas gajas. Estava a ver, ou a ver de novo, a série ‘The walking dead’ pela enésima vez consecutiva e com uma garrafa de frisante branco de ‘Adega da Horta’ na mão, porque a meio da garrafa adormeço e acordo apenas no dia a seguir. Sei que me dava jeito ter aqui uma gaja para pinar e adormecer mais depressa, com a ilusão de que o amor está sempre no fim de um arco-íris de engate garantido. Foda-se, tenho aulas daqui a duas horas e nem sei se vou ensinar o pessimismo de Mainlander ou a história da Dinamarca na costa ocidental africana. É o que dá. Fico envergonhado quando tenho de perguntar aos alunos qual o nome da cadeira. Mas assim que respondem, à foda-se que a coisa corre e pareço querubim flautando aos céus. Mandei. A foto. Barba por desfazer e no meio de uma montanha de livros e papelada e o caralho a sete, com a cara inchada de beber demasiada pinga. É que se nota, quando afogas as mágoas dos idos em veneno de Baco. Inchas como boi armado em sapo, e quando olhas ao espelho, culpas a passagem do tempo, quando devias culpar a passagem da lucidez, que só aumenta enquanto ficas mais velho. Vista a foto a gaja não responde. Daí a dois dias diz que estava ocupada em trabalho, apesar de ser fim-de-semana. Choram baba e ranho porque não gostam de ser tomadas por mais que um corpo com carnes rígidas e simetria facial. Incapazes de retribuir a gentileza. Confesso que não sou fotogénico. Mas nem o gajedo, na sua maioria, é neste momento em que falamos, mais que um zombie saído de uma fotocopiadora gasta.
0 Comments
Leave a Reply. |
Viúvas:Arquivos:
Novembro 2025
Tori Amos - Professional Widow (Remix) (Official Music Video) from the album 'Boys For Pele' (1996) - todos os direitos reservados:
|