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Curioso como quando estou a leste do gajedo, com a mente focada em procurar o fascínio pretérito nas coisas de que sempre gostei de fazer, Deus me joga uma qualquer coisa ao caminho. Como se dissesse: ‘-Tomá lá aí, entretém-te, quero ver o que fazes, entre as regras que dizes querer seguir na tua vida interior, e o contexto que te apresento.’ Marro repetidas vezes, com os cornos, no problema da hodierna reificação que fazemos uns dos outros, e porque motivo correm as relações tão mal, com tão grande sabor a palha insonsa. Porque nos tratamos uns aos outros, em regaços de plena guerra civil, como merda. Uma selva do mata ou morre, usa ou é usado, onde os placebos de amor são escolhidos a dedo, régua e esquadro, ou seja, não são amor, mas controlo. Especialmente elas, que precisam tanto, mas tanto, de se sentirem seguras, que reduzem o gajo do outro lado da linha, a pele seca de cobra, pese embora o tipo ainda se contorcer com fracturas expostas e a olhos vistos…lá dentro. O eterno jogo do ninguém empata ninguém e toda a gente sabe ao que vem. Sempre achei esta merda um provincianismo de gente demente e atávica. Talvez porque sobrevalorizo o indivíduo que se apresenta defronte mim. Deve ser por isso que no metro, não olho para ninguém, apenas para a peida das gajas boas, e faça chuva ou Sol, ando sempre de óculos escuros, para ninguém perceber se observo a fauna que me circunda em harmonias de acaso. Em casa passo os dias a masturbar-me, 3, 4, 5 vezes por dia, até já nem poder pensar em sexo. Sem terminar as tarefas que preciso terminar. Foco-me nas mamas, nas coxas, no carácter amador da pornografia profissional que é agora omnipresente e gratuita. Vá-se lá saber porquê. Mas não consigo deixar de olhar para as caras das artistas de cinema cibernético, com alusões à página de onlyfans, a ver se sacam uns trocos a troco da bênção em forma de corpo que Deus lhes deu a partir da simetria dos átomos de carbono. Geralmente é o gajo que as come, ou o namorado de ocasião, que as filma, saindo depois do trabalho, ambos, para comer um hambúrguer e ver um filme no cinema, como rotineiro nas grandes urbes da putanhice legalizada. As que têm cara bonita, fazem pena não namorarem connosco, se bem que já não tenho idade ou paciência para namorar com alguém que seja de facto especial. Mas uma cara bonita, faz pensar duas vezes, pelo menos a mim, que sou afectado profundamente por rostos bonitos, mais que por rabos e tetas. Procuro sempre o bonito do rosto, e sei que a coisa não tem pernas para andar, quando depois de saciado, já não posso olhar para o rosto, durante algum tempo. O namorar, isto é, a entrega individual num projecto a dois, onde cada um vê se a coisa tem pernas para andar com exclusividade de uso de gónadas, está em desuso. Cada indivíduo que aparece, é uma mera reedição de um ponto de sobreexcitação algures no passado recordado ou no futuro por se cumprir. Sem apelo, sem agravo, tudo colapsa no agora, num Verão Interminável de repetição do mesmo argumento feliz de romcom provinciana e kitsch. Perdemos a capacidade de lidar e ansiar pelo diferente e inesperado, como crianças mimadas, só queremos a bolha de conforto costumeira, onde domesticamos o nosso prazer e satisfação, por mais imagens que metamos nos instagrams sobre voltas ao mundo ou destinos exóticos onde supostamente deveríamos colocar em causa quem somos. Mas a identidade mundial do globetrotter de primeiro mundo, permite ir a um canto recôndito de África, sentir-me especial sem alguma vez sair da bolha de conforto que é viver a vida como percorrendo um museu, sem alguma vez celebrar compromisso como estátua ou quadro. Pergunto-me se vivo no passado. Talvez, porque mal ou bem, vou lá reinterpretar, torno-o vivo, activo no meu presente. O presente não me seduz, a vida à minha volta está plastificada e temo que o horizonte de esperança em coisas melhores, foi por mim fechado algures no decurso das minhas cogitações. Por isso tomo aquelas decisões profundamente internas de deixar de andar atrás de saias a rodo, e preferir alguém não é especial, mas que seja de facto agradável e presente. Escolhida por Deus, mas eu nunca sei quando e como me vai Ele entregar a encomenda, e portanto, continuo a mergulhar em tudo o que vem à rede, não vá aparecer o meu lote na vida, no meio do lixo, passo a expressão. Quando elas querem, fazem questão que se saiba que querem, lançam a escada, como diz um amigo meu, e nós só temos de a subir. Sentou-se à minha frente no anfiteatro, fez perguntas sobre mim, mostrou-me fotos da sua adolescência como música de fanfarra, sem que eu tenha alguma vez perguntado. A mensagem era, estou aqui, podes subir e vir ser digno da minha presença. Mas infelizmente, eu não estava interessado. Fisicamente não me atrai, e creio ter direito a preferências no que concerne a estética da simetria em carbono. Sei que se aceito, e lá for picar o ponto, eventualmente tenho de me convencer a ter tesão, e com os anos estou cada vez mais preguiçoso. Sou polido, faço-me de desentendido, que sim, que vamos montar o tal sistema de digitalização, que surge no decorrer de um mestrado que cursamos em comum. Gaba-me, que sou muito versátil, e se me agradasse, este seria um daqueles momentos mesmo à eu, onde diria que ainda não vira nada. Não é só garganta, porque quando me apetece faço mesmo. O problema é que cada vez me apetece menos e menos e menos. Percebi que ficou incomodada com a minha falta de reacção, é natural, estão todas, mesmo muito pouco habituadas à rejeição. Por isso levam para casa uma espécie de desaforo nunca proferido, sempre que ninguém sobe a escada. Tinha combinado com um engate de tinder, um encontro, algures ali para o IGOT, uma geógrafa sueca que viera dar uma conferência, a partir de uma universidade importante. Muito bonita de cara, vestia contudo ao estilo do Obélix, que é o que todas usam quando ganham os pesos naturais da idade, e a boca já não obedece, e o vinho não perdoa. Eu antes de sair de casa atulhara os bolsos de preservativos, não fosse o Diabo tecê-las, mas sem aquele ritmo cardíaco acelerado que me animava não bem há alguns meses ante a promessa de sexo. Fiquei com amargo de boca ainda antes de ir ter com ela. Rejeitava a colega que se revelara interessada, por não fazer o meu tipo ou preferência, para ir ter com um engate provisório e efémero, só porque era bonita de cara, loira e aparentemente, mais terra-a-terra. E afinal, se a rejeitada, era a enviada por Deus? Estava a falhar ao meu legislar prévio sobre o assunto. Senti-me menorizado perante a ideia de que só quero as bonitas que Deus me manda, como que tendo o direito de escolher, mesmo sobre a Sua oferta. É mais honesto assumir que queremos gajas boas, bonitas e malucas na cama. E fiéis. E bem-dispostas. Tirar Deus da equação, pois nada tem a ver com isto, onde é que já se viu, pedir a Deus para me enviar as boas e bonitas, então mas as feias não têm direito à vida? Ter têm… mas eu não quero ter que me concentrar para ter tesão. Que é parecido com o que dizem os perfis de tinder, deixar as coisas fluir… Se só quero as boas, nãos as reduzo igualmente a pele de cobra seca, com elas ainda se debatendo lá atrás?
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