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25 carícias de guerra - 14 de 25

20/9/2023

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Fotografia
Eram 4 da manhã, e eu não conseguia dormir.
Não sei se por excesso de café, se por consciência pesada.
Ambos têm efeitos cumulativos.
Olha, vou adiantar trabalho teutónico, pensei para comigo, em vez de ficar a rebolar na cama e a ver vídeos de gatos no Instagram.
Sempre que aperta uma dose de concentração maior em mim, o corpo pede a dose de estimulante narcótico que vem com o orgasmo.
Já ia na 4ª punheta quando percebi, que duas horas se haviam passado e não havia maneira de baixar a líbido.
Olhei para a pila e indaguei se não seria mesmo a aspereza da minha mão que lhe retirava sensibilidade e dificultava a vida das gajas que acham que sabem fazer broches.
Que tanto movimento de vaivém sob o prepúcio, cria uma gosma parecida com fungos e que toma nome de esmegma.
Que se comer muitos doces para sedar a desilusão, aumento a população de candida albicans, e a minha glande fica a parecer a cabeça de um careca com caspa.
Cheiro a suor daquele que entranha os poros do nariz até tocar no botão do nojo, há 4 dias que só leio e só escrevo, e quando vou à rua passear a cadela, dá-me vontade de fugir de novo para casa, não conseguindo reconhecer o mundo lá fora, como meu.
Mas o lado positivo, é que fiz mais no mês passado que no ano anterior, que isto das gajas, especialmente as parvas, é um desperdício de tempo.
Ainda não consegui interiorizar que a grande maioria das gajas que por aí anda, têm uma má personalidade. Má no sentido de serem estúpidas e inadequadas, e não no sentido bíblico, pobres diabos.
Não há qualquer reforço negativo em comportamentos estúpidos. São estúpidas porque não existem consequências para a sua estupidez, que não se diluam por uma garrafa de vinho ou numa noitada com o grupo de apoio de amigas encalhadas que reforçam as crenças umas das outras, em amizades de codependência, que visam apenas e somente, fazer sentir bem, seja qual for a estupidez feita.
De um ponto de vista abstracto, não me devia incomodar. E não me incomoda, só o suficiente para escrever sobre tal. ‘-Estou apaixonada por ti.’
Olha para mim séria, e espera que eu diga o mesmo.
Como não digo, olha para baixo encenando uma cena de uma qualquer peça onde ela exprime que não devia ter dito o que disse, para me convencer…sem palavras mas por linguagem corporal, que aquilo que afirmou é verdade.
São poetas, fingem acreditar nas petas que contam. São armadilhas para ursos fingindo que são ursos incautos num longo trajecto pedonal.
Fotografia
​Acho graça ao mesmo tempo que tenho pena.
Sim, tenho pena, porque sei que a vida dela é um inferno, pois tem de viver com ela. Não, não é por ser ‘má’ pessoa. É por não conseguir fazer introspecção desapegada. Não conseguir deixar de ser a omnipresente heroína dos seus diálogos interiores. Ser uma cabra porque não sabe não o ser. Porque se defende, e essa defesa é o que descrevo sempre como meter o outro a arder na noite fria para nós mesmos nos aquecermos.
Defende-se de tudo, dela, de um monstro de Frankenstein composto dos pedaços dos seus amores passados, mas apenas as partes mais grotescas, que ela interpreta que levaram à ruptura.
Um monstro feito de pedaços de vários homens, que ela assim interpreta, mas que no fundo são o reflexo dos seus defeitos enquanto pessoa. Xou, que não digo que a cachopa tem todos os defeitos e os gajos do seu passado eram anjos soprando cornetas num mapa barroco.
Ela interpreta a razão das desilusões, de acordo com aquilo que ela é. Todos o fazemos. Alguns preferem culpar o outro, para se salvarem a si mesmos, no tribunal da sua consciência.
Eu sei que não é fácil, por isso bebo e escrevo.
E sinto-me comigo mesmo.
E salvo-as no juízo final de qualquer responsabilidade que espero nelas.
 
Mesmo quando se vão embora e desamigam nas redes sociais, seja para não mostrar que andam a chupar a pila a outro, seja para se protegerem da visualização da minha presença algures no limiar da sua percepção online.
E se o fazem, bem fodido estaria eu se não tivesse aprendido que dizer ‘-Eu gosto de ti.’ é só mais uma arma branca no arsenal destinado a esfacelar a aorta. Uma armadilha para ursos.
Pois são como esta puta de mosca, que pousa no ecrã comigo escrevendo às escuras. Não consegue resistir à luz, no meio da escuridão, nem eu lhe consigo acertar a tempo, sem partir alguma coisa.
É assim que está escrito, e Deus escreve na pedra.
Na pedra dura que é o coração de algumas gajas que são incapazes de não ser as cabras parvas que são.
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